sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Natascha Kampusch 3.096 dias sequestrada

A austríaca Natascha Kampusch, sequestrada durante oito anos antes de fugir de seu raptor em 2006, publicou sua autobiografia 3096 Tage (3.096 dias), tempo que durou seu sequestro, na qual acusa a polícia de negligência nas buscas após o seu desaparecimento em 1998, quando tinha 10 anos.

No livro, Natascha conta os primeiros dias no esconderijo de 5 metros quadrados embaixo da casa de Strasshof, próximo a Viena, onde seu sequestrador, Wolfgang Priklopil, a manteve presa depois de tê-la pego quando ia para a escola.

Priklopil se suicidou aos 44 anos, logo após perceber que Kampusch havia fugido. Natascha disse que chorou quando soube que Priklopil havia se suicidado se jogando na frente de um trem, no mesmo dia de sua fuga. "Com minha fuga, não só me libertei de meu sequestrador, como também perdi uma pessoa de quem, à força, tinha ficado muito próxima", escreveu em sua autobiografia.

Essa postura alimentou as especulações, de que ela teria desenvolvido uma simpatia por seu sequestrador e que protegeria seus cúmplices. A jovem denunciou essa teoria: "Parecia que para as autoridades era mais fácil acreditar que houve uma conspiração em torno deste crime do que admitir que fracassaram em localizar o criminoso que durante esse tempo todo agiu sozinho e manteve sua aparência inofensiva”.

Mantida em cativeiro, ela lembra que chegava a apanhar até 200 vezes por semana, era algemada a ele ao dividirem uma cama e era obrigada a trabalhar seminua como uma escrava doméstica. A austríaca também comenta, na trecho publicado de sua autobiografia, sobre o trauma da falta de contato humano no cativeiro. "Eu ainda era apenas uma criança, e precisava do consolo do toque (humano). Então, após alguns meses presa, eu pedi a meu sequestrador que me abraçasse”, relata.

As revelações, feitas mais de quatro anos após ela ter escapado do cativeiro, em agosto de 2006, fazem parte do livro de memórias de Natascha, que hoje tem 22 anos.

A jovem estudante de idiomas, que concluiu o ensino médio no ano passado, leu o seu livro nesta quinta-feira à noite em uma livraria de Viena, como parte da campanha de promoção de sua editora. Já há especulações sobre a produção de um filme sobre sua história.