quarta-feira, 30 de julho de 2014

Polêmico: como arquitetos podem ajudar mulheres a serem donas de seus corpos




Um concurso de arquitetura está sendo organizado no Mississippi, no sul dos Estados Unidos, para repensar o design da fachada e dos arredores da única clínica de planejamento familiar do estado. O local é um dos muitos no país que realiza procedimentos como o aborto. 
No início dos anos 1970, a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu que as mulheres americanas deveriam ter o direito de interromperem a gestação caso quisessem. Mais do que isso, que o aborto deveria estar disponível sempre que necessário para proteger a saúde da mulher.
Hoje, o país conta com cerca de mil clínicas de planejamento familiar, onde são realizados, além de abortos, check-ups médicos e aconselhamentos. Consideradas como locais importantes para os direitos sexuais e de reprodução femininos, as clínicas e suas frequentadoras são mal vistas por grupos pró-vida e frequentemente se tornam alvos de protestos – parte deles violentos.
Enquanto em muitos países a descriminalização do aborto ainda é um tabu evitado por políticos, por lá o procedimento existe e está disponível para todas as mulheres. A questão é outra: as americanas têm o direito de comparecerem a esses locais para se informarem sobre aborto, mas para que isso aconteça de forma segura, alguns obstáculos devem ser superados – e a arquitetura pode ajudar.
A violência representa um dos maiores desafios tanto para mulheres quanto para clínicas. A Federação Nacional de Aborto (NAF) dos EUA tem monitorado casos de violência contra os estabelecimentos e suas frequentadoras desde 1977. Os números incluem oito assassinatos, 17 tentativas de assassinato, 42 atentados e 181 incêndios, além de casos de sequestro, perseguição, ataques com ácido, piquetes, obstrução e intimidação.
Mas, recentemente, a própria Suprema Corte derrubou uma lei que mantinha “zonas de isolamento” em volta das clínicas – áreas limitadas por linhas ou cercas para que pacientes pudessem circular sem ter que passar em meio a manifestações. Arquitetos e entidades defensoras dos direitos de reprodução femininos defendem a existência dessas zonas como algo fundamental para a proteção das pessoas envolvidas. E começam a pensar em soluções alternativas.