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terça-feira, 2 de agosto de 2016

MOSTRA EM SP EXIBE FILMES DIRIGIDOS POR MULHERES E PROMOVE DEBATES

“Mulheres e cinema” é o tema do terceiro encontro do Ciclo de Eventos Resistir com Arte, que será realizado de 2 a 5 de agosto no Memorial da América Latina, em São Paulo, com entrada gratuita.

Parceria entre o Memorial, o Centro Interdisciplinar de Gênero da Unifesp e o Projeto Atadas, o ciclo de eventos propõe debates que envolvam artes, mulheres e política.

Desta vez, a expressão artística em destaque será o cinema. Diariamente, a partir das 19h, serão exibidos curtas dirigidos por mulheres, seguidos de debates com as realizadoras e outras convidadas (na noite de abertura, a sessão será de um longa, também com discussão posterior).

No total, a programação conta com 11 filmes:
De Menor, de Caru Alves de Souza
Atadas, de Tarsila Nakamura
Quem Matou Eloá?, de Lívia Perez
Viver de Mim, de Juily Manghirmalani
A Festa da Joana, de Vera Vasques e Kelly Cristina Spinelli
Parece Comigo, de Kelly Cristina Spinelli
Fábula de Vó Ita, de Thallita Oshiro (foto acima)
Corpo Manifesto, de Carol Araujo
O Dia de Jerusa, de Viviane Ferreira
Empoderadas (episódio Criola), de Renata Martins
À Meia Vista, de Pris Oliveira






1ª Mostra Mulheres e Cinema
Data e horário: 2 a 5 de agosto, sempre às 19h
Local : Auditório da Biblioteca Latino-Americana do Memorial da América Latina (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664)
Entrada: gratuita
Informações: página no Facebook

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Festival celebra mulheres negras com atividades culturais

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, Negra Latino Americana e Caribenha, no dia 25 de julho, o Centro Cultural da Juventude realiza uma semana de atividades culturais gratuitas! O objetivo é reunir público para celebrar e conhecer a luta, produção intelectual e artística de mulheres negras.

O evento, intitulado Festival da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, acontece entre os dias 26 e 30 do mês com feira de produtos afro, sessões de cinema, exposições, performance, rodas de conversa, experiências gastronômicas e muito mais. A entrada é Catraca Livre.

Neste ano, a homenageada é a ancestral africana Rainha Nzinga Mbandi Ngola, líder da resistência angolana contra a invasão portuguesa.

A feirinha conta com a presença de afroempreendoras como Kintê Acessórios, Aso Oge Arte em Tecido, Ina Livros, Atelie Casa Cleo, ATOA Cria, Cria Criôla, Artesanatos Abayomi, Isabel Cristina Nunes, Raiz Ubuntu, Agbara, Neide Salles - Roupas e Acessórios, Da Lama Studio, AnaZoe Produtos Artesanais e Renabe's Artes.

Confira a programação completa:

26/07 - Terça

19h| Cine Debate com o filme "As Mucamas" - Coletivo Nós, Madalenas
Centro de Referência e Promoção da Igualdade Racial - Travessa Fernão Martins Costa, 105 - Vila Maria Alta


17h| Abertura Exposição "Lélia Gonzales"
18h| Abertura Exposição Fotográfica "Mulheres Negras Cotidianamente" - Kátia Reis
18:30| Perfomance artística Eu, Ancestral, buscando.... com Rita Teles
19H| Roda de Conversa: Ancestralidade e Narrativas de Mulheres de Fé - Nega Duda, Paula Kristina Costa, Sandra Heraclia.
21| Poket Show: Thabata Luz
Centro Cultural da Juventude - Av. Deputado Emílio Carlos, 3641 - Cachoeirinha

27/07 - Quarta

14h| Estética Política e Poder - Personal Hair Yaisa Alves
18h| Performance Artística Ana Musidora
19h| Roda de Conversa: A Década Internacional dos Afro Descendentes - Rodney Jerico e Gabriela Valim

28/07 - Quinta

14h| Vivência Culinária Afro Latina - Laure
18h| Performance Kalunga - Ana Beatriz Almeida
19h| Roda de Conversa Mulheres Trans - Thais Azevedo (Centro de Referência e Defesa da Diversidade) e Danna Lisboa

29/07 - Sexta

14h| Oficina: Sagrado Feminino - Vijaia Prem
17h| Histórias da Ilha - Suzana Vieira, coletivo Negrxs, Dandara Gomes - GAPP, Dina Alvez - Luta Antimanicomial
18:30| Performance artística - Malu Avelar
19h| Roda de Conversa: Feminismo Negro - Djamila Ribeiro, Raquel do Sarau Elo da Corrente e Bergman de Paula
21h| Sarau Pretas Peri

30/07 - Sábado

10h| Feira de Afroempreendedoras
10h| Contação de Histórias - Luana Maria
12h| Desfile de Moda - Designer Maria do Carmo- "Estética da Mulher Negra"
14h| Roda de Conversa: Experiência das Mulheres Negras na Contemporaneidade - Jussara Martins e Maria Sylvia

18h| Sarau no Meio do Mundo e Sarau das Prê
Biblioteca José Mauro de Vasconcelos - Praça Comandante Eduardo de Oliveira, 100 - Parque Edu Chaves



Via Catraca Livre 

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Amy Winehouse, lá vem ela!

Pois é...lá vem ela a tchutchu muito louca com voz de diva Amy Winehouse virá em janeiro ao Brasil!!! Fique por dentro das datas e dos preços para assistir ao show:

O Summer Soul Festival, que trará a cantora, divulgou os preços dos ingressos para a cidade de SP, que vão de R$ 200 (pista comum) a R$ 500 (pista premium).

Em Florianópolis, o festival não terá área VIP e os ingressos para a pista saem por R$ 160 (o camarote, que não fica entre o palco e a pista comum, sai por R$ 600). No Rio de Janeiro, os preços dos ingressos - ainda disponíveis para todos os setores - vão de R$ 180 (cadeira nível 3) a R$ 700 (pista premier e camarotes).

O Summer Soul Festival de SP trará também os artistas Mayer Hawthorne e Janelle Monae. Destes, apenas Mayer Hawthorne não se apresentará no RJ.

Os shows acontecem nos dias 8 de janeiro em Florianópolis, na Pachá; dia 11 no Rio de Janeiro, na HSBC Arena; dia 13 em Recife, no Centro de Convenções de Pernambuco; e dia 15 de janeiro em São Paulo, na Arena Anhembi.

As vendas para o show em São Paulo começam a partir de amanhã!!!! Para o show em Recife no dia 2 de dezembro.

Em Recife, a venda será pelo site da Ingresso Rápido. Para as demais cidades, as entradas podem ser compradas pelo site da Livepass.

Sou fã da Amy e estou pensando mesmo em comparacer no show...com a vida cheia de altos e baixos...não sei se teremos outra oportunidade, espero que sim e com cd novo!!!E vamos conferir algumas fotos marcantes da cantora (para ver a imagem maior, basta clicar!): 












terça-feira, 9 de novembro de 2010

Mulheres no Comando do Cinema entrevista com Vivi Amaral

Mulheres no Comando, sempre...hoje entrevistamos a Vivi Amaral, mulher no comando do cinema!! Já falamos dela aqui no blog, clique aqui para relembrar

Confira com exclusividade e conheça um pouco mais desta mulher super atuante no mundo do cinema:

MNCS: Vivi conte um pouco de como começou a sua paixão pelo cinema como foi esse primeiro contato.

VA: Vejo filmes desde que me conheço por gente. Meu pai foi o grande incentivador para que eu virasse uma cinéfila.

Todos os sábados de manhã ele me levava nas locadoras e alugávamos uns quatro ou cinco filmes para o fim de semana. Antes eu ia e ficava viajando com as capas dos VHS - “A Casa do Espanto” era uma das minhas favoritas – depois, quando fui ficando mais velha, ajudava ele a escolher os filmes. Hoje, toda a sexta ele me pede as dicas de filmes que estão sendo lançados na semana.

Minhas tardes pós-aula também eram de filmes. Acompanhava a semana toda a “Sessão da Tarde” ou o “Cinema em Casa”.

MNCS: E o terror (fantástico), sempre teve mais interesse por esse gênero? 

VA: Sim, o gênero fantástico é meu favorito, mas o terror é a menina dos meus olhos. Sempre, desde de pequena, tive paixão por dar sustos/ver outros se assustando e monstros.

Chegava a passar o dia inteiro planejando o susto que daria na minha mãe quando chegasse em casa. Vivia falando pra criançada na rua que o Freddy Krueger morava no sótão de casa. Brincava de castelo assombrado com velas e quase incendiei a casa algumas dezenas de vezes.

E o curioso é que ficava encantada em ver os filmes de horror. Freddy era minha relação de amor e ódio. Adorava ver os filmes, mas de noite corria chorando pro quarto dos meus pais. 

MNCS: Como surgiu a idéia do Festival, hoje Cinefantasy, veio por conta de uma carência que percebeu neste genêro?

VA: Com certeza. O gênero fantástico precisa de duas coisas aqui no Brasil: incentivo à produção nacional e formação de público. E o Cinefantasy surgiu justamente para cobrir essa carência. Queremos ajudar a criar um mercado em que realizadores de filmes de gênero possam viver de fazer cinema. Se vamos conseguir chegar nesse mercado esperado, não sei, mas iremos tentar.
Isso não é uma situação restrita ao cinema fantástico.


O cinema brasileiro conta com poucos profissionais que podem dizer que vive de fazer cinema.

Quando começamos o festival, encontramos o cinema fantástico brasileiro com uma maioria de produções caseiras e com cara de caseiras. Hoje, já temos um número considerável de produções amadoras que podem tranquilamente concorrer com produções profissionais (estas que, aliás, aumentaram dentro do fantástico) e estrangeiras.

Esta qualidade está atraindo um público maior, além dos olhos de festivais tradicionais que antes ignoravam o gênero fantástico.

MNCS: Hoje o Festival tomou porpoção internacional tornando-se referência, como é, você sendo idealizadora e organizadora "assistir" a tudo isso. O público, a mídia....

VA: Uma sensação muito boa. É ótimo ver que um trabalho (e bota trabalho nisso hehe) que dura o ano todo, deu certo, foi aceito e reconhecido.

Ver o público descobrindo o festival, curtindo filmes que raramente chegariam às telas brasileiras e ver os realizadores que cresceram junto com o festival fazendo exibições internacionais, nos dá orgulho e combustível para continuarmos na luta.

MNCS: Você já sentiu-se presionada por ser mulher e estar na organização de um grande Festival voltado para este genêro?

VA: Aff... muitas vezes! E vou te falar, é algo que me irrita profundamente.
É impressionante, mas em pleno século 21, ainda existe preconceito contra as mulheres.


As pessoas costumam achar que o organizador do festival é o Eduardo e eu sou só a namorada dele. Mesmo eu sendo a “fan girl” da dupla, bitolada pelo gênero fantástico, a responsável pela curadoria internacional do festival, ainda acham estranho que uma mulher esteja por trás de um festival que tem filmes de horror e ficção científica.

Não é por mal, mas as pessoas acham que só existe a imagem tradicional da mulher que só sabe falar de comédias românticas com a Jennifer Aniston ou Julia Roberts, maridos, filhos e sapatos.

Gosto de sapato, amo um salto, curto passar horas cuidando do meu cabelo, grito e choro quando vejo uma barata, adoro falar de novas dietas, tratamentos estéticos e me maquiar quando o trânsito trava em São Paulo, mas também amo jogar Tekken,  God of War, Prince of Persia e Guitar Hero e amo ir com os amigos no boteco, comer botequices e falar botequices.

Hoje em dia, não há espaço mais para os rótulos e personagens planos. Todos e todas carregam suas diferenças e deveriam sentir-se livres pra ser do jeito que é.

Lido sempre com essa mentalidade de que a mulher deve gostar e se ater a coisas consideradas de mulher. É freqüente alguma mulher vir me “resgatar” de uma roda masculina onde o assunto é filmes de horror ou o próximo lançamento de game  (se o assunto é futebol, sou a primeira a sair) com a frase, “vem cá estamos falando de coisas de mulher” ou algo do tipo.  A intenção é bonitinha, mas a idéia embutida nessa ação me remete aquela sociedade machista em que as mulheres DEVERIAM ficar na cozinha com as crianças enquanto os homens se divertiam na sala.

E hoje, acho que, independente de ser mulher ou homem, a pessoa tem a ESCOLHA de ficar onde quiser, falando o que quiser e com quiser. Sem regras.  
O Eduardo é muito legal nesse ponto e sempre levanta minha moral quando alguém me isola da conversa sobre o Cinefantasy ou algum projeto de filme de horror. Um amorzinho :-)

Mas uma coisa é curiosa nisso, percebi que essa pressão é mais forte no Brasil. Muitos estrangeiros com quem falo sobre o festival lidam naturalmente com uma mulher nessa área.

MNCS: Agora conte um pouco sobre a Vivi diretora e produtora da Fly Cow.

VA: Bom, antes do festival, minha proposta de vida era me tornar a versão brasileira e com cintura do Peter Jackson  (risos)

Mas organizar o Cinefantasy toma muito tempo durante o ano todo, e meu sonho de dirigir um filme teve que esperar um pouco, mas acho que em breve eu posso debutar nos telões :-)

O Donny, diretor e roteirista do curta, me apresentou o roteiro, pois o Edu e eu estávamos querendo produzir algo pela produtora. Como era uma filmagem relativamente fácil, resolvemos fazer. Eu que tava na fissura por um pouco de ação, acumulei funções. Fui assistente de direção, pitaqueira de plantão e editora do filme. O Edu foi o produtor.

Foi muito legal trabalhar com o Donny, gosto das idéias subversivas e doidinhas (risos), isso foi fundamental pra o filme sair tão instigante como saiu. Claro, sem contar o Ginco, que faz o personagem principal, e deu um show de atuação que deixou todos os envolvidos na produção de boca aberta.

Adorei o resultado final do curta, mas não esperava que, já de cara, emplacássemos o Totem na Mostra Internacional de SP.
Isso nos deixou muito felizes e prontos pra começar as próximas filmagens.
MNCS: Festival..produção...e um blog...como é seu trabalho no blog, conte sobre o que escreve, como seleciona as notícias.

VA: O lance do blog Páprica/Cultura Pop começou meio sem querer. Como passo os dias na web atrás de novidades do cinema por causa do festival, comecei postando essas novidades no twitter.

Então, um amigo que escreve para o blog Sedentário&Hiperativo, o Raphael Draccon, me indicou para escrever sobre cinema na área de cultura pop do S&H.

Achei bacana e comecei a postar. Hoje, tento postar uns dois artigos por dia. Tento variar entre assuntos populares e achados que faço pela web.

Evito postar assuntos que parecem boatos da mídia, prefiro falar de novidades confirmadas. Como não tenho obrigação de postar direto, posso escolher o que realmente me chamou a atenção.

MNCS: E agora qual a próxima empreitada?

VA: Esse momento do ano, entre o fim de uma edição do Cinefantasy e o começo de outra, consigo pensar em outros projetos. Estou com outro bom roteiro do Donny nas mãos e tenho mais um de próprio punho. Provavelmente, esses dois vão tomar meus próximos meses de férias.

MNCS: Não poderia deixar de te pedir algumas dicas de filmes, claro para quem curte ou quer conhecer mais o fantástico.

VA: Hum, deixe-me ver... bom tem os clássicos como o trio do  Kubrick (O Iluminado, 2001: Uma odisséia no Espaço e Laranja Mecânica) e os da sessão da tarde (As Sete Faces do Dr. Lao, Os Gonnies, Os Fantasmas se Divertem e História Sem Fim) para quem quer conhecer.
 De filmes mais novos tem os belíssimos “Labirinto do Fauno”, “Dublê de Anjo” e “Deixe Ela Entrar”; três interessantes representantes da ficção científica são “Cidade das Sombras”, “Filhos da Esperança” e “A Origem”; e os filmes que me deram vontade de correr pro quarto dos meus pais foram “REC”, “Ringu” e um curta chamado “The Cat with Hands”.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Mulheres no Comando do Cinema, entrevista com Bernadette Lyra

É com muita honra que o MNCS entrevista Bernadette Lyra, NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO, se você não conhece essa Mulher no Comando do Cinema, aproveite e leia esta entrevista exclusiva!

Bernadette possui experiência em diferentes áres, mas para esta entrevista vamos focar em Cinema, Na estréia do nosso Especial Entrevistas: Mulheres do Cinema!

Nascida no município de Conceição da Barra, no Estado do Espírito Santo é escritora e professora universitária. Licenciada em Letras pela UFES, é doutora em Artes/Cinema pela ECA/USP e pós-doutora pela Universidade René Descartes, Sorbonne - França.

Foi Coordenadora do Mestrado em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi.

Atualmente é Professora Titular no mesmo PPGCom. Foi Coordenadora do GT Cinema, Fotografia e Video da Associação de Programas de Pós-Graduação em Comunicação/Compós. Sócia Fundadora e atual membro do Conselho Científico da Sociedade Brasileira de Pesquisadores de Cinema e Audiovisual/Socine. Professora Visitante da Universidade do Algarve, Portugal.

Possui experiência na área de Comunicação, com ênfase em Cinema, atuando principalmente nos seguintes temas: cinema e audiovisual, comunicação social, cultura contemporânea e cultura das mídias. É autora de livros e artigos sobre cinema e audiovisual, bem como autora (várias vezes premiada) de livros de ficção, com publicações no Brasil e no exterior.

Foi Secretária de Cultura no Espírito Santo. Tem trabalhos publicados em revistas e jornais de todo o país.
Entre seus trabalhos recentes mais comentados estão as publicações " Cinema de Bordas - 1" (não -ficção) 2006 e "Cinema de Bordas - 2" (não- ficção) 2008

MNCS: Bernadette, é tanta coisa pra perguntar...lá vamos nós! Comente um pouco sobre a sua foormação, como você foi levada as Letras e ao Cinema?

BL: Eu cresci vendo filmes. Meu avô era dono do único cinema na cidadezinha em que nasci, Conceição da Barra, no extremo norte do Espírito Santo. Assim, o cinema está em meu DNA. Eu dividia com o cinema um amor louco pelas histórias em quadrinhos e pelos livros de Monteiro Lobato. As duas coisas se juntaram em mim desde criancinha.

Comecei a escrever contos e crônicas ainda no segundo grau. Depois, fiz o curso de Letras, na Universidade Federal do Espírito Santo e desandei a publicar ficção.

Tenho uma porção de livros na praça: contos e romances. Ganhei alguns prêmios literários, inclusive uma seleção para o Prêmio Jabuti e um primeiro lugar no lendário Concurso de Contos da Fundepar, em Curitiba. Tive contos traduzidos e publicados em neerlandês. Já há teses, dissertações e livros de pesquisa sobre minha produção literária. Continuo escrevendo ficção. Mas a paixão pelo cinema me levou a fazer um doutorado e um pós-doutorado na área.

Venho dando aulas e pesquisando sobre cinema desde então.

MNCS: Fale sobre o Cinema de Bordas, sobre o termo e o que ele significa.

BL: Cinema de Bordas é a denominação que dei a um território periférico de produção ainda pouco conhecida e muito pouco estudada no panorama dos estudos cinematográficos em nosso país. Culturalmente, isto que chamo de produção cinematográfica de bordas se vê excluída de um centro institucional único. Mas apresenta características técnicas muito específicas e próprias de produtos audiovisuais.

Daí resultam filmes feitos com tecnologia precária e baixíssimo orçamento, sem maiores pretensões de que contar uma história dentro de certos padrões de gêneros já vistos e revistos, plenamente reconhecidos pelos espectadores.

Ao fazer isso, esses filmes se aproveitam de situações, cenas, imagens e sons que já foram usados por outros filmes e produtos de entretenimento, reciclando imagens visuais e sonoras já existentes nas revistas de HQ, nas pulps, nos velhos filmes de matinées em que imperam, sobretudo, as aventuras no oeste americano, a literatura policial, as comédias adocicadas, o pornô, a ficção científica e o horror.

Quase sempre, tal “retomada” fílmica visa, apenas, a uma reciclagem fragmentária que mistura os gêneros é efetuada sem pretensões a citação, homenagens ou reconhecimento. Além disso, o cinema de bordas se concentra em narrativas de ficção fantasiosas e produzidas com técnicas rudimentares, nas quais os assuntos e lendas regionais que dizem respeito aos habitantes e costumes locais são abordados sem compromisso documental com a realidade.

Os filmes de bordas não têm outra pretensão a não ser o entretenimento dos seus espectadores. Por isso, são tão criativos e deliciosos. E fazem, legitimamente, parte do cenário da cinematografia.

MNCS: O que você espera do cinema e do espectador brasileiro?

BL: Já é tempo dos estudos sobre o Cinema Brasileiro deixarem aquele lado "metido à besta" e intelectualóide que só privilegia filmes calcados no autoral e no artístico e que gozam das benesses oficiais.

É preciso que os pesquisadores estejam atentos à imensa quantidade de filmes alternativos e independentes que andam a pipocar por aí.

Tem toda uma geração de realizadores que faz da Internet sua sala de projeção, pois não consegue exibir seus filmes nos Multiplex da vida... Penso que os espectadores de hoje estão muito mais antenados com essas mudanças de que alguns "intelectuais". Vida longa e prosperidade ao cinema de bordas e aos filmes periféricos!

MNCS: Você já sofreu algum tipo de preconceito ou julgamente por suas idéias e posição?

BL: Sempre que a gente parte para coisas diferentes, aparecem as críticas dos "acomodados". Isso ocorre nas melhores famílias de estudiosos do cinema.

É claro que muitos consideram que meu objeto de estudo e um tanto "deslocado" dos estudos habituais que se fazem nos meios acadêmicos e que se trata de um "assunto menor". Já ouvi isso aos montes. Mas, não me interesssa.

A paixão, a delícia e a seriedade com que vejo e estudo os filmes de bordas compensam qualquer chatice.

MNCS: E as mulheres no cinema como você tem visto a participação delas tanto nos bastidores como na linha de frente?

BL: É tempo de mulheres. Em toda e qualquer linha de frente, em todo e qualquer papel de apoio cutural, social e o que mais der ou vier. Vamos que vamos.

MNCS: Que dica você da para quem é interessada (o) no universo do audiovisual e do cinema, por onde começar a estudar ?

BL:Começar é só uma questão de querer. Seja qual for o assunto, tema, estudo ou fazimento. Mas é claro que em se tratando de cinema, sobretudo, é preciso ver filmes, ver muitos filmes, seja lá em que suporte for, seja lá onde for.

MNCS: Qual são seus próximos projetos?

BL: Quero continuar a organizar Mostras de Filmes de Bordas pelo país afora. E quero acabar o romance que estou a escrever, sobre uma mulher do século XVI, Luiza Grimaldi, a terceira donatária da capitania do Espírito Santo e única mulher a governar de fato uma capitania no Brasil naqueles tempos.

Foi uma vida muito doida e muito maravilhosa que a História fez questão de esquecer, como esquece a vida de tantas outras mulheres...

Bernadette muito obrigada pela entrevista! Feliz Aniversário, muita saúde, sucesso e felicidade!!

A Bernadette também tem um Blog o MNCS já está seguindohttp://blyra.blog.uol.com.br/

Para você que quer conhecer um pouco pouco mais do Cinema De Bordas volume 1 e 2 compre, confira no link: AQUI